A bartonelose, também conhecida como doença de Carrión, é originária dos altos vales interandinos do Peru, da Colômbia e Equador. Causada pela Bartonella bacilliformis, bactéria aeróbia em forma de bastonete, transmitida por mosquitos dos gêneros Lutzomyia, os mesmos vetores da leishmaniose, e Phlebotomus. Considerada uma das mais letais infecções bacterianas, com uma taxa de mortalidade da ordem de 90%, a febre de La Oroya é uma doença da região dos Andes. Ao invadir áreas antes inexploradas da floresta e ser picado pelo Lutzomyia, o homem parece ter ajudado a bactéria a fazer a transição para altitudes menores. Após um período médio de incubação de 61 dias (que varia de dez a 210 dias) o doente com bartonelose apresenta inicialmente sintomas inespecíficos como mal-estar geral, sensação febril com calafrios leves e dores nos músculos, articulações e cabeça, podendo chegar a náuseas e vômitos. Em sua fase mais avançada, a doença causa fraqueza, febres e calafrios, e as vezes é confundida com a malária.
O diagnóstico clínico diferencial se faz pela intensa palidez, resultante de forte anemia. O diagnóstico é firmado laboratorialmente quando são encontradas uma ou mais B. bacilliformis parasitando de 1% a 100% dos glóbulos vermelhos do sangue. O doente pode ainda apresentar a chamada bartonelose verrucosa. Esta se assemelha a tumores de pele, à leishmaniose tegumentar americana ou mesmo hanseníase (lepra).
O seu impacto pode ser agravado pelo modelo de desenvolvimento adotado na Amazônia. A construção de estradas, hidrelétricas e a expansão da agropecuária extensiva impulsionam o desmatamento, as queimadas e migrações, e tudo isso contribui para aumentar a ocorrência de doenças.

